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Ainda em construção: o que 70 países e várias empresas me ensinaram sobre empreender

Minha trajetória não começou com um grande acerto. Começou com uma empresa que quebrou antes mesmo de existir. O que aprendi sobre identidade, fracasso e a liberdade de continuar construindo.

Por Tiago Patrício · Fundador do allhands, empresário, escritor e advisor.


Existe uma pergunta que fazem com frequência: "Como foi sua trajetória?" Durante muito tempo eu respondia listando empresas, viagens, livros, negócios vendidos, investimentos, países que conheci. Hoje acho que essa resposta dizia muito pouco.

A verdade é que minha história não começou com um grande acerto. Começou com uma empresa que quebrou antes mesmo de existir. Eu tinha 18 anos.

Uma trajetória que parecia confusa

Depois vieram uma agência de viagens, uma startup, turismo religioso, transporte e logística, tecnologia, construção, gastronomia, inteligência artificial e comunidades de empresários. Algumas cresceram além do que eu imaginava. Outras consumiram tempo, dinheiro e energia para terminar do jeito que quase ninguém gosta de contar: dando errado.

Durante muitos anos achei que minha carreira parecia confusa. Hoje percebo que ela apenas estava viva.

Por que eu mudava de negócio

Existe uma pressão enorme para que o empreendedor encontre "o seu negócio" e passe os próximos trinta anos repetindo a mesma história. Comigo aconteceu o contrário. Fui mudando porque fui aprendendo. Não abandonei negócios por falta de disciplina. Mudei porque o mundo mudava, porque eu mudava e porque algumas ideias simplesmente não funcionavam.

É curioso perceber que algumas das coisas que mais orgulho me dão nasceram de projetos que fracassaram:

  • Uma startup que não encontrou seu modelo de negócio acabou gerando uma tecnologia que foi vendida.
  • Uma empresa que não cresceu como imaginei me ensinou mais sobre estratégia do que qualquer livro.
  • Negócios que deram prejuízo me obrigaram a entender cultura, gestão, liderança e pessoas.

O maior erro do empreendedor: identidade presa à empresa

A empresa pode acabar. O aprendizado não. Viajei para mais de 70 países. Escrevi dois livros. Investi em empresas de tecnologia, turismo, gastronomia e construção. Conheci empresários extraordinários. Mas nenhuma dessas experiências vale tanto quanto a liberdade de admitir que continuo aprendendo.

Ainda erro. Ainda mudo de ideia. Ainda começo projetos sem saber exatamente onde vão chegar. Continuo em construção.

Por que fundei o allhands

Não consigo conversar apenas sobre sucesso. Prefiro conversar sobre decisões difíceis, modelos de negócio que não fecharam, sócios que não deram certo, oportunidades perdidas, o peso de liderar, a solidão de quem empreende. Foi nesses lugares que mais cresci.

Quando fundei o allhands, não quis criar um espaço para pessoas que já chegaram. Quis criar um ambiente para quem continua construindo. Empresários que entendem que crescer não é acumular respostas. É aprender a fazer perguntas melhores.

Perguntas frequentes

Quem é Tiago Patrício?

Tiago Patrício é fundador do allhands, empresário, escritor e advisor. Tem experiência em mais de dez setores, de turismo a tecnologia, e é autor de dois livros sobre empreendedorismo e liderança.

O que é o allhands?

O allhands é um hub de vulnerabilidade estratégica para empresários brasileiros. Reúne fundadores que faturam e querem crescer com previsibilidade, por meio de comunidade, imersões e conexões reais entre pares.

O que fazer quando um negócio dá errado?

Separar identidade de empresa. O aprendizado de um negócio que fracassou vale mais do que muitos cursos. O empreendedor que cresce é o que extrai valor do erro e continua construindo.