3 em cada 10 empresas em Minas Gerais fecham antes dos 5 anos. E ninguém fala sobre isso nos eventos.
Belo Horizonte tem evento de negócio todo santo dia. Café da manhã, happy hour de networking, palestra motivacional, curso de 4 horas que promete virar sua vida do avesso. Os "eventeiros" adoram, vivem de agenda cheia, postando story em cada canto, parecendo que tá bombando.
Sabia que Minas Gerais é o estado com a maior taxa de mortalidade empresarial do Brasil? Quase 3 em cada 10 empresas fecham antes de completar 5 anos. E olha que Minas é onde mais rola evento de empreendedorismo por metro quadrado.
Eu já vivi isso na pele. Não vim de berço de ouro, não tive ninguém segurando minha mão. Construí do zero, apanhei, errei, corrigi, errei de novo. Me faltou estrutura, gente de confiança pra trocar ideia na hora difícil e faltou paciência pra segurar a onda quando o resultado não vinha rápido.
É que ninguém te ensina a atravessar o meio do caminho; aquele trecho sem glamour, sem palco, sem foto pra rede social, onde você só trabalha, corrige rota e aguenta.
O eventeiro é o andarilho, parece ocupado. Tá em tudo quanto é grupo, em toda palestra, em todo evento. Mas se você perguntar quem tá do lado dele quando a empresa aperta de verdade, geralmente a resposta é: ninguém. Porque conexão que só existe no palco não aguenta o trecho difícil.
Quem planta raiz é diferente. Escolhe menos lugares, mas escolhe com critério. E fica tempo suficiente pra essas relações virarem sustentação de verdade, não só selfie de evento.
O GEM, a maior pesquisa de empreendedorismo do mundo, mostra isso na prática: empresário mais velho, com negócio mais maduro, tem visão de longo prazo. O mais novo, ainda testando tudo, vive pulando de curso em curso, de evento em evento. E olha, isso não é defeito de quem tá começando. É reflexo de nunca ter encontrado um lugar que provasse, com tempo, que valia a pena parar de correr atrás.
Todo grupo de empresário promete "família", promete "tribo", promete "rede que te sustenta". Só que promessa não constrói nada. Prova constrói. E prova só se faz com tempo.
Qualquer evento pode dizer que vai transformar sua vida. Poucos vão estar lá, do seu lado, daqui a 5 anos, 10 anos. É isso que separa quem realmente entrega de quem só sabe vender discurso bonito no Instagram.
Os estudos sobre empresa que quebra no Brasil sempre apontam pras mesmas causas: falta de planejamento, foco só no curto prazo, decisão tomada sozinho, sem ninguém pra validar antes de bater a cabeça. Repara que isso não é sobre saber ou não saber fazer conta. É sobre estar sozinho na hora de decidir. Empresário que decide isolado tende a repetir erro que já foi resolvido mil vezes por quem já passou por aquilo. Rede de verdade não é luxo, é ferramenta de sobrevivência.
Tem um grupo pequeno no Brasil, as chamadas empresas de alto crescimento, que representa menos de 15% do total de negócios do país, mas segura sozinho quase um quarto de toda a receita gerada pela economia.
Esse grupo não chegou lá porque foi em mais evento que os outros. Chegou lá com disciplina, com planejamento e, principalmente, encontrando no caminho gente que já tinha errado antes e que encurtou o processo de aprendizado que, sozinho, levaria uma vida inteira pra entender.
Se sua empresa fechasse amanhã, quantas dessas pessoas que você chama de "minha rede" ainda iam estar do seu lado? Quantas realmente sabem o tamanho do risco que você carrega todo dia? Quantas conhecem sua operação de verdade, e não só o post que você fez sobre ela?
A maioria nunca parou pra pensar nisso porque o ambiente ao redor nunca cobrou. A gente cresceu cercado de evento que recompensa quem aparece, não quem constrói. Que celebra quem fala bonito no microfone, não quem tá lá na operação, no dia a dia, com a mão na massa.
Tem diferença entre estar rodeado de gente e ter gente de verdade do seu lado. A primeira é fácil, não custa nada, não exige nada de ninguém. A segunda exige tempo, exige critério, exige que os dois lados, você e quem tá com você, provem, ano após ano, que aquilo é real e não só discurso de evento.
É isso que falta pro empresário brasileiro. Não falta talento, não falta coragem, não falta vontade de crescer. Falta um lugar que trate o crescimento dele com a mesma seriedade que ele trata a própria empresa. Porque resultado que dura se constrói devagar. O que se constrói rápido demais, cai rápido também.
Quem entender isso primeiro não tá só escolhendo uma comunidade diferente. Tá escolhendo parar de andar sem rumo e começar a construir de verdade.
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